A Fundação Sagres pode afirmar, com convicção, que o caminho para um jornalismo propositivo passa necessariamente por uma linha editorial pautada em educação, sustentabilidade e cultura. E isso ganha peso e comprovação com o reconhecimento que atravessa estados. Durante a última semana, a equipe da Demà Sagres TV foi premiada no 13º Prêmio Sebrae de Jornalismo, tanto em Goiás quanto em Minas Gerais.
Em Minas Gerais, o programa “Negócios de Raiz”, da Demà Sagres TV, ficou em 3º lugar na categoria Jornalismo em Vídeo. Já na etapa de Goiás, a repórter Mariana Brito Xavier, da Demà Sagres TV, conquistou o 1º lugar na categoria Jornalismo Universitário com a reportagem “Novos negócios indígenas transformam geração de renda em preservação cultural”, desenvolvida em sua trajetória acadêmica na Universidade Federal de Goiás (UFG). As duas premiações trazem, como denominador comum, algo que já é natural dentro da nossa comunicação: as histórias que precisam ser contadas.
Em Minas Gerais, cinco comunidades quilombolas em uma mesma reportagem
O programa “Negócios de Raiz”, exibido na Demà Sagres TV, percorreu cinco comunidades quilombolas mineiras que ilustram diferentes vertentes da economia criativa e da bioeconomia.
No Quilombo Família Souza, em Belo Horizonte, o bambu vira móveis e peças de arte sob a liderança do mestre bambuzeiro Marcos Antônio, tornando-se principal fonte de renda para várias famílias.
Já no Quilombo Pinhões, o artesão Cristiano Rodrigues mantém viva a tradição secular do artesanato em barro, com panelas e vasos que hoje circulam por feiras em todo o país.

Enquanto isso, o Quilombo Arturos, em Contagem, onde vivem cerca de 700 pessoas entre a sexta e a sétima geração, a bioeconomia da sociobiodiversidade se materializa em práticas de artesanato e agroecologia.
No Quilombo São Domingos, em Paracatu, o afroturismo virou frente de renda estruturada com apoio do Sebrae e da prefeitura local.
E no Quilombo da Pontinha, em Paraopeba, um grupo de nove mulheres transformou o pequi que caía no quintal em uma agroindústria, a Pontinha de Sabor, que hoje tem alcance nacional.
O programa parte da leitura de que os saberes acumulados por comunidades tradicionais não são apenas patrimônio cultural, mas também matriz produtiva viva, capaz de gerar renda e sustentar identidade. Assinam o trabalho Atalissa Rosa, Alexandre Dolabela, Fernanda Dias, Cadu Barros, Guilherme Homem, Fábio Melo, Rodrigo Fumaça, Givanildo Pereira, Elton Lopes e Camila Madeira.
Para Alexandre Dolabela, coordenador de conteúdos da Demà Sagres TV em Minas Gerais, o reconhecimento tem um peso adicional pelo momento em que chega. “Estamos falando de uma equipe que começou a trabalhar junta há pouco tempo, em meio a um processo importante de expansão da TV, e que já conseguiu construir um trabalho com essa qualidade e relevância”, conta. Ele destaca que o encontro entre Goiás e Minas Gerais é parte do que dá liga ao time: “O pessoal de Goiânia chegou trazendo uma pamonha bem feitinha, e nós, como bons mineiros, recebemos todo mundo com um cafezinho passado na hora e um pão de queijo quentinho”.
Sobre o programa em si, Alexandre resume a leitura editorial que o “Negócios de Raiz” carrega: “O ‘Negócios de Raiz’ exemplifica o que queremos levar para a nossa programação: histórias bonitas, cheias de representatividade. E ter esse reconhecimento no Prêmio Sebrae de Jornalismo reforça que estamos no caminho de construir uma TV cada vez mais conectada com as pessoas e com os territórios onde estamos presentes”.
Para Atalissa Rosa, produtora do “Negócios de Raiz”, o reconhecimento carrega o peso das histórias que a equipe encontrou nos territórios. “Conquistar o 3º lugar no Prêmio Sebrae de Jornalismo como produtora desse programa especial foi uma alegria imensa. O projeto me proporcionou a oportunidade de conhecer histórias profundas de amor, ancestralidade, sustentabilidade e fortalecimento comunitário. Poder dar visibilidade a tudo isso, por meio de um conteúdo pensado e executado com tanta dedicação por toda a equipe, é extremamente gratificante”, conta. Ela também amarra o reconhecimento à leitura editorial que atravessa o cotidiano da emissora: “Esse reconhecimento fortalece ainda mais o que todos os dias a gente constrói aqui na Demà Sagres TV: contar boas histórias, revelar o que ainda é desconhecido e valorizar as pessoas que lutam, trabalham e transformam a realidade diariamente”.
Em Goiás, o empreendedorismo indígena além do estereótipo

Já a reportagem premiada em Goiás mergulha em um dado raro nos noticiários. O estado tem mais de 10 mil pessoas indígenas com ocupação e rendimento, e a média salarial dessa população em Goiás (R$ 2.114) supera a média nacional (R$ 1.647). O trabalho indígena injeta mais de R$ 100 milhões por mês na economia do Centro-Oeste, e Goiás concentra cerca de R$ 21,2 milhões desse valor. Mas por trás dos números, há histórias que Mariana Brito Xavier e seus colegas Andressa Bueno, João Vitor Fernandes, Luana Sampaio, Renato Cândido e Sofia Costa foram encontrar pessoalmente.
Uma delas é a de Rosa Kambeba, ativista do povo Omágua Kambeba, artesã e servidora pública. Ela saiu do Amazonas há 35 anos, veio para Goiás e se formou em Administração pela UFG, com o objetivo declarado de compreender o universo do empreendedorismo para dar sequência ao artesanato que vem de gerações.
Outra é a de Harawaki Kahereru Karajá, artesã da Aldeia Buridina, em Aruanã, do povo Iny Karajá. Aprendeu com a mãe a fazer as bonecas Ritxokó, tombadas como patrimônio imaterial pelo Iphan em 2012, e hoje ensina a filha mais velha. Em maio de 2026, ela realizou o sonho de vender seus produtos em uma feira em São Paulo. “Chegar lá é o meu sonho, vender fora do Brasil também”, contou à reportagem antes da viagem.
A matéria também entra em uma dimensão que transcende o empreendedorismo indígena: a da educação como ferramenta de resgate cultural. A cacique Valdirene Mahudiké, primeira mulher cacique do estado de Goiás, resume essa leitura em uma frase: “Antigamente nós tínhamos borduna, hoje a nossa borduna é a caneta”.
A reportagem apresenta ao público uma leitura sobre o empreendedorismo indígena que se afasta do lugar comum e reposiciona esses povos como sujeitos ativos da economia contemporânea, ao mesmo tempo em que registra os obstáculos que persistem: a falta de espaços fixos de comercialização, o preconceito social e até a escassez da argila que serve de matéria-prima para as Ritxokó, degradada por causa da drenagem da água do Araguaia para plantações de soja.
Para Mariana, o reconhecimento reforça a possibilidade de fazer, ainda dentro do processo formativo universitário, um jornalismo com densidade humana. “Ter a oportunidade de conquistar um prêmio como esse é muito gratificante porque mostra que é possível tentar, mesmo que em um processo formativo dentro da universidade, fazer um jornalismo mais humano, falando sobre educação, cultura e resistência”, afirma.
Ela destaca ainda a leitura editorial que atravessa a reportagem: “Quando pensamos em empreendedorismo, muitas vezes nossa mente vai logo para o viés econômico. Mas quando tivemos a oportunidade de trabalhar com o empreendedorismo indígena, vimos que vai muito além: é economia, claro, mas é também uma forma de sobrevivência cultural e de educação das próximas gerações”.
Uma linha editorial que se consolida
Os dois reconhecimentos convergem em um jeito de fazer jornalismo que a Demà Sagres TV vem construindo a partir da Educação. E, ao mesmo tempo, sinalizam o padrão de um time que sabe onde procurar as histórias que ainda faltam ser contadas.
Parabéns à equipe da Demà Sagres TV. Reconhecimentos como esse celebram, além da competência técnica dequem faz, a escolha de onde apontar a câmera.
